The wicked in the forest

In my mind there’s a forest.
It lives, I’m utmost certain.
In this forest there’s a creature
that joyfully laughs lurking.

Through the mouth it spits fire.
Its flames burn my trees
and the smoke gets higher
than my eyes can see.

It hurts, the vile creature,
as I try this problem to solve,
as I melt and dissolve
in headaches and seizures.

It grows, the wicked nightmare,
and yet hides skillfully,
performs beautifully,
and into my soul it stares.

Horribly unfair, I say
for my leaves took years to grow
and, fast as the wind can blow,
it destroyed my night and day.

Oh, problem! Leave the leaves alone!
They’ve done you nothing!
Why won’t you listen?
Must I solve you like the rest
of the others who ventured here
so my trees, branches and flowers
can rest at ease?

Please!, I scream in revolt,
but the vile creature refuses to halt.
It fights, it hides and it taunts
and I force my mind and it hunts.
I’m searching the demon, I’m trying
but my leaves, in silence, keep dying.

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It rains and I write

It rains and I write.
For all the hopes out of sight
can only darken the darkest night.
But the pen is shelter and light
for those who hear the water fall
in a lucid dream of a waterfall
and a sky so bright.

It rains and I write.
My power of broken might
might lose me this fight,
oh yes, it might.
For a battle inside,
never dies within a fortnight.

It rains and I write.
And in this mountain of white
that I climb and I risk
and fill it with risks,
I try to fistfight it
but shake with the frostbite.
I’m Wilbur Wright in no flight.

It rains and I write.
The sounds in my window
that begin in such height,
they give quite a bite
on those who can’t hide.

It rains and I write.
But I know that despite
all the gun and gangfights
and the fire it incites
that’d tear up insides…
Yet will come the daylight.

For once again it rains,
and once again I write.

O mundo sem drogas

Doutor,
desde que parei de usar drogas
– pedido que tanto me rogas –
o mundo tem sido tão bom…

Oh, doutor, tem sido maravilhoso.
Tenho vivido melhor,
e rendido mais no trabalho.
As tarefas do dia motivam,
sem motivos para fugas!
Minhas rugas sumiram,
as esperanças subiram,
e as demandas,
antes demônios a voar inquietos,
agora são blocos de pedra fixos,
sólidos, chatos, tediosos…
eles me rodeiam, brancos,
quebradinhos nas pontas
e falhados em suas superfícies cúbicas
de pedra maciça,
envolvidos pelas cordas que os sustentam.
Eles estão sempre ali…

Mas tudo bem, doutor,
agora me alieno com amor.
Minha mulher pra mim voltou
e vemos muita televisão.
Conversamos sobre Malhação
e novelas do passado e de agora.
Monitoramos a vida dos vizinhos
(temos um que fuma maconha!)
e gostamos de tudo limpinho.
E assim vai ser sempre…
Dia após dia, segundo após segundo,
na marcha perfeita no exército do tempo,
até um de nós morrer…

Mas tudo bem, doutor,
pois vivo sem dor, saiba.
Quer dizer,
voltei ao estresse e à raiva
e o prazer que tive uma vez
também de uma vez se desfez.
Mas é o preço que se paga, não é?
Por uma mente sã e limpa,
que pouco pensa da vida,
não quebra as caixas do pensamento,
que pouco explora outros mundos,
e fica satisfeita com este…

Doutor,
o mundo sem drogas é um banho frio.
É preciso forçar-se a entrar nele,
mesmo que gritemos a nós mesmos
“o que você está fazendo?
pare de se punir assim!”
E isso é bom, eu acho…

Doutor, confesso:
ver pedras em demandas é progresso,
mas, por Deus, que saudade dos demônios!
Eles me matavam mas se mexiam!
Melhor companhia do que as pedras!
Doutor, o mundo sem drogas
é uma mesmice horrorosa…
As pedras não voam, o banho não esquenta
e eu não vou a lugar algum!
Nada desloca nada!
E a televisão continua!

Doutor, chega.
Segure-me. Estou quebrando.
O mundo sem drogas pesa, doutor.
Me veja aí um remedinho.

Vício

Mendigando horas com o próprio vício.
Vício hábito, vício hálito.
Vício: mulher de charmes.
Vibrante, cativa.
E rouba tempo
– relógio de ouro no bolso do sobretudo
com uma correntinha –

Rua sem saída

Toda rua sem saída é uma morte precoce.
Vida incomple –
Sufoca sentidos – vejam!
Murchos, se misturam ao asfalto.

Os sábios percebem:
Parece ela sorrir presunçosa
Pois todos os pés que por ela andaram
Tiveram que voltar.

Mas guarda no coração breve
A frustração inerente
De não ser meio nem fim – ser erro.

Ninguém a busca porque morre cedo
E qual homem o quer? Qual homem a quer?
Sobra para andar por lá
Quem não vai a lugar algum.

Mundo de restos

Desceu para o porão meu pai
e encontrou-me encolhido,
amedrontado com os barulhos
não dos aviões, dos gritos.
Não das bombas, dos choros.
Não dos tiros, das mortes.
“Você deve ver uma coisa”
Disse-me o homem fardado
E obrigou-me a subir para ver a cidade.
Eu, fraco peixe de águas profundas,
tinha horror à superfície.
Havia muita luz e ignorância
(sempre desprezei iluministas).
“Vá”, disse meu pai, “será bom para ti”.

Ao segurar com as mãos trêmulas
a escada de madeira podre
desejei uma queda fatal.
Em vão. Cheguei ao final.

Vi uma massa marrom e preta
que era a pele do mundo:
se estendia decerto pelo globo todo.
Pensei na extinção da água – senti sede.
Pensei no fim das colheitas – senti fome.
Vi as árvores e seus galhos pelados
e minha mente em silêncio – senti frio
(nem um pensamento para aquece-la).

Era de fato uma paisagem de restos.
Restos de gente em restos de chão
rodeados por restos de prédios
queimados por restos de fogo
e restos de fumaça em restos de céu.
Os sons que restavam rastejavam répteis
enquanto que antes voavam aves.
Completude ali havia em mim
e em meu terror apenas.

“Eis aí, meu filho,
um país morrendo pela doença da guerra.
Um campo de batalha perdido
entre tantos outros…
Cenas que são consequencias esquecidas
de raciocínios bélicos.
Acredite em mim quando digo:
essa monstruosidade é uma gota
no oceano da podridão humana”.
Busquei razões em gavetas vazias
de que meu pai estava errado.
“É preciso endurecer a alma:
torná-la sólida.
Vive-se mais assim”.
Eu revirava as gavetas e procurava,
em desespero, no leve nada.
“Não aguenta mordidas quem não produz veneno.
E o mundo é cheio de serpentes”.
Morreu minha busca e nasceu meu choro.
Os restos de infância me pesavam
e meu pai desceu para o porão.

Chorei sozinho por horas.
Quando parei, não me incomodavam mais os restos.
Eu era parte dele. Responsável por ele.
Entendi: meu pai me fizera resto por amor
Pois num mundo de restos, um inteiro não tem lugar.
E eu e meu pai éramos também restos.
Só não tivemos a sorte de morrer.