Por mim, só eu

Morreu meu quarto virgem.
Construiu-se nele um arranha-céu,
como cidades ambiciosas
e suas casinhas
vítimas do progresso.

Sobe a manhã em seu tempo,
respeita o Sol e só.
Eu saúdo vossa luz
ou mando ao inferno esse azul?

Por mim, só eu.
Arranco as raízes que restam da infância
para não chorar a cada esquina.
Dói.

Por mim, só eu.
Nessa fuga e enfrentamento eternos
do mistério da morte iminente
até o ar me escapa por vezes.

Por mim, só eu.
E lágrima só minha, quente
é café que passa, mente.
E esquenta em fios meu rosto frio.

Por mim, só eu.
E faço um eco na câmara de meu tórax:
jamais o mundo precisou de mim
para conquistar o próximo segundo.

Por mim, só eu.
Ora novo, ora velho.
Ora em pranto, ora em prélio.
Passo após passo por acidente na vida.

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