O almirante

Um excelso almirante
respira fundo em seus aposentos.
Senta-se a uma mesa
que onde dorme um mapa velho, rasgado.
A lamparina, como mágica,
revela as linhas de um homem pensante,
e seu efeito: rabiscos do sofrimento.

“Tantos dias e noites busquei
Refúgio n’outras águas – falhei.
Minha mentira sem teto
não tem mais relógios para morar.
Está na hora de enfrentar as ondas,
de arriscar afundar no imenso azul
para, enfim, crescer.”

Caminha lento o nobre comandante,
com voz minguante para ordenar
e dor crescente ao raciocinar.
A madeira o suporta, mas range
e o causa estranheza,
pois tamanho rugido nunca ouvira.
Nem do mar.

Uma casca de noz num nada.
“Curvado em meu convés,
no grande horizonte vejo que chegam
as tormentas de mudanças que virão.
E então? E então?
Pode um homem apenas chorar,
se curvado em seu convés,
no grande horizonte vê que chegam
as tormentas de mudanças que virão?
E então? E então?”

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