O voo da pedra

Cordas elásticas que me prendem ao tempo…
Que faço delas?
Seja em sujas ou asseadas salas
deste grande prédio que é o mundo,
pouco muda em minhas vontades e medos.
Que faço, portanto?
Se nenhum gelo derrete, nenhuma folha cai
e nenhum sol nasce dentro de mim?

Mas surpreendo quando ainda assim
tais cordas não largam de mim
E mesmo eu sendo pedra que voa no vazio
(Com elas, como não?),
distorções e contrações me dividem
até que cesse meu voo
não sei aonde.

Pois destas cordas elásticas tudo tiro:
pressas ridículas; calmas cadentes;
risos solitários; lágrimas quentes.
Eis que passou um risco e nem vi.
Esperando nada mudar,
perdi a mudança.
E onde havia gelo agora há água,
não há mais folhas em galho qualquer,
e o brilho do sol grita alto
pelas colinas, vales e rios de mim.

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