Relatório da alma de um perdedor

Em aberração revoltosa,
fez-se do esforço o fracasso.
E vazio provou-se o grito,
vazio provou-se o suor.
E tenho o privilégio de ver se abrindo
um bom exemplar de alma perdedora,
e é assim, e não de outra forma,
o que ali vejo, o que ali há.

Balões inflamam em chamas – vão estourar –
em câmaras cujas paredes
são crostas de dor e sangue seco.

Há, nesta alma azarada,
mãos de grossas garras
que irritam e arranham,
que atrapalham e destroem,
que rasgam (e também a si),
o tempo, senhor e criança.

Há nesta alma um tumor,
uma massa irregular pétrea,
a se arrastar e se alimentar
de derrotas em quaisquer disputas.

Há também nesta alma
um político rebelde
que insiste em fazer oposição
ao Destino, imperador do mundo,
e gravar para sempre seu nome
nos inválidos avessos da história.

Há, nesta alma que se abre,
as trancas e cadeados sem chave
das conquistas que jamais puderam ser.

Sim. Eis a alma de um perdedor,
indústria de frustrações eternas,
de falsas e efêmeras glórias,
e de esquálidas esperanças
que não conseguem andar ao nascer.

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