Cadeira de balanço

Cadeira de balanço,
por que não balanças comigo?
Afinal, com frequência fadigo,
e procuro parar quando canso…
Mas nunca, nunca eu balancei
numa cadeira de balanço.

Tenho nisso grande frustração
em minha vida adulta e sua provação.
Pois é das singelas, domésticas ações
que se faz o júbilo nos bons corações.

Então por que não comigo, pergunto.
É o meu corpo longo e estranho?
Minhas pernas em desconjunto?

É claro que me sinto um marginal!
Não balanço como os outros, afinal.
E formatos nossos desconversam,
sem concordar em uma só afirmação…
É enquanto meus dedos versam
que enuncio certeza da falta de ação:
para o mundo não fui feito.
Não balanço. Não tem tem jeito.

E ponho a me perguntar:
em qual resto fétido de mundo
viverei eu comigo mesmo,
que não consigo – sem nem saber por quê –
balançar numa cadeira de balanço?

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s