Eu, velho

 

Todos foram dormir
em minha casa de tantos anos
Eu, velho,
sozinho conserto o banheiro.
Cansado, me apoio na parede
para sentar no chão
Parado, penso na morte.

O azulejo esfria meu corpo,
quero me encolher.
Amanhã não tem nada pra fazer.
Já trabalhei e viajei.
E tanto deste mundo não vi.

A visão embralha, é turva,
e o foco foge de mim.
As linhas engordam sem nitidez.

Olho ao meu redor.
Não mais estou no banheiro.
Não olho. Não estou.

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