A rua onde falta

Busquei-te ávido! O escravo!
Mesmo que fosses lembrança apenas,
mesmo que fosses miragens e cenas,
mesmo que tu não fosses, em absoluto.
A obsessão me acordou.
Onde teria dormindo você,
pelos quentes quartos de janeiro?
Onde estaria tua alma,
podendo estar no mundo inteiro?
Busquei-te, confesso.
E nem sabia direito o quê.
Busquei-te quando o sol reinava,
e nem sonhava em perder seu trono.
Mas toda a luz do universo é inútil
se as trevas nascem do fundo do peito.
Busquei-te por horas cremosas,
e ninguém havia na cidade,
ninguém eu via na cidade,
e eu não a via na cidade.
Cambaleei solitário, no completo cenário
do apocalipse urbano da dor.
Fui tolo caçador,
dentre os tolos, o pior!
Pensava caçar o amor…
Quando voltei as cigarras já cantavam
e a rua amolecia de ressaca de você.

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