Zero hora e pedras portuguesas

Eis que volto ao quarto depois de horas
E nosso sexo ainda no ar estava
O quarto transava
E nós, já vistos sem filtros
Pelos olhos do mundo frio
Navegávamos ao mistério do tempo

Pois querida, escute bem
O mundo é frio e eu caminho em angústia
Tudo me parece pregado ao chão
E pregado tudo foi porque voar precisa
Improvisa o destino como feliz brisa
E avisa, como mestres a aprendizes:
“Há de caminhar por esquinas infelizes
Quando tudo parecer certo, verás o errado
E teus olhos fecharão em esforço de guerra
Tua alegria será como lixo arrastado
Farão de ti árvore e de outrem, serra”
E ele me sussurra como eu em teus ouvidos
Atenta para distantes mas eternos perigos

Eu sigo, mato toda luz em emoção
Aprendi bem a caminhar na escuridão
A noite tanto me chama, me seduz, me grita
E tudo em seu lugar me parece tão frágil
Livros de presságios, tarefas pesadas
Cama no centro e nós nela
Uma noite comum na vida humana
Tão típica quanto chuva num mar das rosas
A rosas que me deste sem dizer
As rosas que eu te dei sem avisar
Mas que se avise aos deuses da desgraça
Que com água nossas flores melhoram
Então que nos afoguemos em noites assim
Até o fim

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